A FAVORITA

Kelson Venâncio | Redação Cult

O QUE MAIS ME AGRADOU FORAM AS INTERPRETAÇÕES DAS TRÊS ATRIZES QUE SUSTENTAM ESSA HISTÓRIA BEM MALUCA

Dos filmes que concorreram ao Oscar 2019, A Favorita é sem dúvida um dos melhores que assisti. A produção dirigida pelo cineasta grego Yórgus Lánthimos mereceu ter sido indicada em todas as dez categorias, entre elas a de melhor filme, direção, roteiro, atriz e atriz coadjuvante. É um filme de época que ao mesmo tempo tem características de um drama, mas a leveza de uma boa comédia. Na Inglaterra do século XVIII, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na Corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes a oportunidade única. A trama é baseada na história real da rainha Ana, da Grã-Bretanha, que reinou de 1702 a 1707. O roteiro, apesar de contar uma histórica verídica, é escrito de forma magistral a ponto de encantar o público que, especialmente nos primeiros minutos de projeção, até se assusta com o jeito maluco da majestade.

A narrativa, que gira em torno das três mulheres que fazem esse “triângulo amoroso” é crescente, nos trazendo elementos tristes misturados a momentos engraçados. Isso deixa a premissa muito interessante e em nenhum momento o longa com pouco mais de duas horas de duração se torna cansativo. A direção de Yórgus Lánthimos é brilhante e bem diferente também. Usando muito o recurso conhecido com “olho de peixe” para captar diversas cenas, o cineasta faz de A Favorita talvez o melhor filme de sua carreira. É claro que não podemos deixar de lado outras duas grandes obras desse diretor que são “O Lagosta” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado” que são ótimos filmes. Mas, com certeza, A Favorita se tornou o meu preferido. O filme tem também belíssima fotografia, figurino impecável, boa cenografia e trilha sonora forte e marcante. Mas, sem dúvida, o que mais me agradou foram as interpretações das três atrizes que sustentam essa história bem maluca. Elas estão simplesmente fantásticas. Rachel Weisz faz deste o melhor papel de sua carreira em minha modesta opinião. Ela faz de Sarah Churchill uma personagem extremamente forte, controladora, decidida, corajosa no primeiro ato do longa e passa a ser uma mulher totalmente frágil no fim do filme, quando perde espaço para sua concorrente interpretada por Emma Stone.

E aqui temos outra brilhante atuação da atriz que já fez diversos tipos de filmes, desde os mais profundos como Histórias Cruzadas e La La Land até os papéis mais superficiais como em O Espetacular Homem-Aranha e Zumbilândia. O fato é que seja o personagem que for, Emma Stone sempre arrebenta. E, por fim, o grande destaque pra mim é de Olivia Colman que simplesmente rouba a cena em todas as suas aparições como a rainha Ana. Ela está muito bem no papel de uma poderosa monarca que é totalmente indecisa, inocente, manipulada, depressiva, carente, doente, maluca e de certa forma até mesmo “burrinha”, já que em muitas situações lhe falta inteligência para tomar atitudes básicas que toda rainha saberia facilmente tomar. Colman, sem dúvida, mereceu muito ter sido indicada à categoria de melhor atriz por este papel. Só pra ver a atuação dela já vale, e muito, assistir esse filme!

Nota 9

Kelson Venâncio é jornalista, crítico de cinema e diretor-presidente da rede de mídias Cinema&Vídeo.
www.cinemaevideo.com

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