STEVE JOBS

“A ESTÉTICA E A QUALIDADE TÊM DE
SER LEVADAS ATÉ O ÚLTIMO DETALHE”

Por Luciano Araújo | Publicitário

Redação Cult

Antes de tudo quero deixar claro que sou amante da Apple, de seus produtos e grande admirador de Steve Jobs, um cara que mudou a forma do mundo enxergar várias coisas. Para falar de Steve Jobs é necessário um exercício de observação entre o profissional brilhante e a pessoa que como todos nós, tinha seus problemas, ou melhor, suas particularidades. Importante também lembrar que apesar de brilhante, este cara também errou muito e certamente por isso, conseguiu chegar onde chegou. Atualmente vemos uma disseminação da ideia e da cultura de inovação, mas pouco se fala na permissão do erro como parte do processo. Para inovar, temos que ter licença para errar.

“Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida. Ou como um resultado que aponto uma nova direção.” Steve Jobs

INFÂNCIA E FAMÍLIA

Nascido em San Francisco, mas adotado por um casal de Palo Alto na Califórnia, ainda jovem gostava de ajudar seu pai nos afazeres na garagem. Ali mesmo começou seu despertar para a tecnologia e para o design. Seu nome completo era Steve Paul Jobs e sua data de nascimento é 24 de fevereiro de 1955. Faleceu em decorrência de um câncer de pâncreas, em 5 de outubro de 2011, deixando quatro filhos: Eve, Brin Siena, Reed e Lisa com quem teve uma convivência difícil no começo e que, segundo os filmes, o inspirou a criar o iPod.

A APPLE E OUTRAS EMPRESAS DE JOBS

Para quem não sabe, Steve Jobs viveu grandes conflitos internos na Apple até conseguir ser demitido da própria empresa. Sim, ele deu conta! Foi demitido da Apple em 1985, após vários atritos entre os diretores da empresa e o CEO John Sculley. Em 1997, a Apple, já em crise, o recrutou de volta como conselheiro.  Independente de qualquer coisa, a verdade é que a maneira completamente disruptiva de pensamento, a sinceridade e o sarcasmo exacerbados de Steve Jobs, tornavam tudo um pouco mais difícil. No tempo em que esteve fora da Apple, Jobs criou a NexT e comprou a empresa de animações de George Lucas que se tornaria a Pixar, revolucionária na concepção de sucessos como Toy Story e Procurando Nemo.

“Ser demitido da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo. O peso de ser bem-sucedido foi substituído pela leveza de ser um iniciante novamente. Isso me libertou para entrar em um dos mais criativos períodos da minha vida.” Steve Jobs

OS BRINQUEDOS QUE AMAMOS

O iPhone está nas mãos de uma enorme massa de pessoas pelo mundo. Ganhou a graça de milhões e segue cada vez mais abarcando gente de todas as idades e perfis. Em 2007, quando foi lançado, iniciou-se um longo momento de transição da tecnologia móvel, não somente celular, mas todo tipo de elemento portátil. Sua tela sensível ao toque encantava desde o início e o visual super clean impressionava pela simplicidade. O iPhone nasce na contramão do que se praticava na indústria de aparelhos celulares. Todos com mil botões, flips, slides e câmeras que não resolviam muita coisa.

Me lembro bem que no lançamento do iPad, em 3 de abril de 2010, no tradicional evento da Apple em Cupertino, a empresa anunciou que já haviam 150.000.000 (isso mesmo, 150 milhões) de iPhones mundo afora, ainda em sua terceira versão. O iPod que já era sensação, mudou como ouvimos música, como compramos música e como artistas e gravadoras se relacionam. Já em seu lançamento, comportava 1000 músicas que eram facilmente encontradas através de seu display e tinha um preço relativamente atrativo. O iPad não foi tão bem assimilado logo de início e uma boa parte dos grandes fãs da Apple fizeram inúmeras recomendações. Ele precisava de ajustes, mas já era inovador por natureza. Design minimalista como todo produto Apple e a busca da melhor experiência para quem usa. Hoje o iPad domina o mercado de tablets, tendo lançado modelos alternativos como o iPad Mini, iPadAir e o iPad Pro.

Todos estes são produtos icônicos, mas foi no Macintosh que Jobs se superou por completo. Surpreendente desde o lançamento, Jobs queria um computador fácil de usar e que no futuro todos teriam um dentro de casa. A designer gráfica Susan Kare foi responsável pela interface gráfica extremamente amigável, como é até hoje. O design como um dos grandes diferenciais sempre foi usado a esmo. Desde a embalagem até o sistema operacional, a Apple sempre entregou um computador de alto valor agregado.

O iMac nasce de uma evolução dessa visão em que o minimalismo ganha funcionalidade. Todos os componentes passam a vir embutidos no monitor, apesar de um estranhamento inicial, aquilo era no mínimo encantador. As primeiras versões tinham cores vivas aplicadas em sua carcaça translúcida. Aqui vale lembrar que dessa água, acabou que todo mundo bebeu. De talher de mesa a tampa de vaso sanitário, encontrava-se de tudo com essa pegada de acrílico colorido, inclusive concorrentes que aos poucos se renderam às tendências visuais ditadas pela Apple.

Dentre tantos, um modelo de 2002 me chamava muito a atenção, parecia mais um abajur, era o iMac Flat Panel.

Me lembro que no comercial ele era todo animado, movimentava em todas as direções mostrando como a usabilidade somada à estética eram fatores determinantes para Jobs. Apesar de interessante, muito à frente do seu tempo, aquela versão do iMac G4 não foi bem absorvida pelo mercado e rapidamente descontinuada.

Surgiram os modelos em plástico branco e posteriormente em alumínio. Máquinas com um desempenho muito acima da média justificava o preço sempre um pouco mais alto. Extremamente acessíveis ao usuário e totalmente interligadas com seus irmãos iPod, iPad, iPhone e com a nova grande tacada, a iTunes Store. O iMac impressiona até hoje, eu sempre falo que até o mouse é bonito, funciona bem e cria um valor emocional com o usuário. Nunca vi ex-usuários.

Ainda falando dos computadores, o Mac Pro foi a saída que Jobs trouxe para a indústria criativa que exigia mais processamento e velocidade. Sempre foi uma máquina robusta, com multiprocessadores.

Com uma primeira versão acompanhando o design do iMac, usou e abusou do acrílico e das transparências, mas foi na sua versão em alumínio de 2004 que consolidou seu lugar no mercado. Posteriormente, em meados de 2015, lançaram um computador que mais parece um enfeite de mesa. Com uma potência inacreditável, ele mede apenas 25cm de altura, 17cm de diâmetro e chega a custar US$8.000,00 nos Estados Unidos, aqui, no site oficial da Apple, o preço da configuração de entrada é em torno de R$27.000,00 e a melhor possível, R$57.000,00. Um brinquedo para poucos.

“Se você ficar de olho apenas no lucro, você vai economizar no produto. Mas se você se concentrar em fazer produtos realmente bons, então o lucro virá a seguir.” Steve Jobs

A EMPRESA QUE AMA O DESIGN

Desde seu retorno à Apple, Steve Jobs implantou a cultura do design e a estética a serviço da funcionalidade. Inevitavelmente isso impactou não somente nos produtos, mas como todo bom projeto de identidade e branding, essa cultura navegou por todos os pontos de contato e departamentos que a empresa tem. Enquanto os hardwares (computadores, teclados, mouses, telefones…) ganhavam a máxima simplicidade visual com toda a sofisticação possível, as embalagens ficaram maravilhosas. Protegem e transportam o produto, mas também se tornaram elementos de desejo. As pessoas guardam as caixas de produtos Apple e até vendem em sites como Mercado Livre, por exemplo. Essa diretriz de design afetou logicamente sua marca que, em um processo de evolução, perdeu a palavra “APPLE”, ficou somente a maçã e adquiriu uma característica flat, minimalista e sem efeitos ou volumes.

LEGENDA: A evolução da marca da Apple.

Em um estudo recente da Interbrand (www.interbrand.com), uma das maiores consultorias no setor de brandindo do mundo, a Apple é apontada com a empresa nº1 no Best Global Brands 2018, ficando na frente do Google, Amazon e Microsoft, sua concorrente e Coca-Cola.LEGENDA: Fonte: www.interbrand.com

Dentre os 10 quesitos pesquisados pela Interbrand; clareza, compromisso, governança, responsividade, autenticidade, relevância, diferenciação, presença e engajamento, a Apple se destacou com grande louvor em todos eles. É a certeza de que, mais do que nunca, o legado de seu fundador está vivo e atuante.

“A estética e a qualidade têm de ser levadas até o último detalhe.” Steve Jobs

A VIDA QUE VIROU HISTÓRIA. A HISTÓRIA QUE VIROU FILME.

Um cara como Steve Jobs, sempre polêmico e sempre na vanguarda das maiores invenções tecnológicas, obviamente é alvo fácil de muitos livros e filmes que tentam contar sua história ou mesmo o seu jeitão de fazer história. Um destaque especial para a sua biografia escrita por Walter Isaacson, que é certamente o melhor título escrito sobre o assunto, e o filme Steve Jobs (2015) do diretor Danny Boyle. As duas obras conseguem mostrar muito do que foi esse cara, inclusive na vida pessoal. Seus conflitos e fantasmas internos. Outros filmes interessantes são: “O Triunfo dos Nerds” (1996); Piratas da Informática (2007); “Jobs” (2013); “Steve Jobs – O Homem e a Máquina” (2015). Na parte da literatura, temos dois destaques na minha opinião: Steve Jobs – O Homem Que Pensava Diferente” e “A Cabeça de Steve Jobs”.

“Vamos inventar o amanhã no lugar de se preocupar com o que aconteceu ontem.” Steve Jobs

A verdade é que o jeito Steve Jobs de pensar influenciou e influencia uma gama enorme de pessoas mundo afora. Mudou as nossas vidas com as inovações reais que trouxe para o mundo. Brigou com muita gente, não foi tão legal com os amigos e a família, fez bons inimigos e grandes parcerias nos negócios. Indiscutivelmente um cara brilhante que, acima de tudo, fez valer cada minuto de sua existência e deixou a sua marca no mundo: a marca da maçã.

Crédito

Luciano Araújo – ACE Adobe Certified Expert – Photoshop.

Pós-Graduação: Arte & Criatividade, MBA Marketing.

Graduação: Publicidade & Propaganda.

NAPP – National Association of Photoshop Professionals.

Prof. ESAMC – Uberlândia – MG.

www.lucianoaraujo.pro.br

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