PAULO VIEIRA 

Serifa Comunicação

O QUE VOCÊ TEM FEITO PARA MELHORAR

SEUS RESULTADOS E PERFORMANCE?

Em entrevista exclusiva à Revista Cult, Paulo Vieira, um dos mais conceituados coaches do Brasil fala sobre como sua vida se transformou quando conheceu o coaching, sobre a importância da autorresponsabilidade, metas, planejamento, a profissão e o livro que está entre os 10 mais vendidos: “O Poder da Ação”. Vieira é fundador da Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis), uma das maiores empresas de coaching do mundo. A federação tem cerca de 600 funcionários espalhados em 30 unidades no Brasil e em países como Estados Unidos, Angola e Portugal. Usando a experiência própria, o autor aborda os processos práticos necessários para alcançar metas, ensina a utilizar ferramentas para organizar e acelerar resultados desejados. “Não importa se o seu objetivo é ousado ou muito fácil de conquistar. O que vai realmente importar é o que você fará para conquistá-lo”.

O que faz um coach?

É um profissional com objetivo de ajudar seu coachee a melhorar a performance e atingir seus objetivos.

O que te motivou a trabalhar com o coaching?

Aos 30 anos, eu não tinha resultados na vida pessoal e profissional, quer dizer eu tinha, mas resultados péssimos em todas as áreas da vida. E foi o coaching que elevou minha performance assustadoramente. Nessa época, há 20 anos, saí de uma vida muito limitada – morava e me alimentava de favor na casa de familiares, uma vez que meu primeiro casamento tinha acabado e não tinha dinheiro nem para comprar ração para meu cachorro. Então, imagina como eu estava… Eu era dono de uma confecção de moda praia e aeróbica, mas que por 10 anos nunca me trouxe nenhum resultado. Minha fase adulta, dos 17 aos 30, foram anos que as coisas não andavam, só tinha perdas, dores, limitações e frustrações. Minha vida não decolava em nada. Eu estava no fundo do poço e descobri a ferramenta através das primeiras literaturas que nem existiam ainda no Brasil. Comecei a aplicar na minha vida e logo abri minha empresa de consultoria e foi um sucesso. Fui aplicando as ferramentas de coaching na minha consultoria e vi que faltava algo que era a inteligência emocional aplicada ao processo tradicional de coaching. Comecei a melhorar minha própria vida com a inteligência emocional, métodos e conceitos. Foi então que comecei a obter resultados extraordinários.

Quais são as principais ferramentas ou princípios para que as pessoas alcancem sucesso profissional e pessoal?

Olha, são muitas. Só de livros tenho sete escritos e todos são best-seller. Fora os manuais. No ano passado, “O Poder da Ação” foi o livro mais vendido do Brasil. São mais de 120 ferramentas de trabalho. Posso dizer que o conceito mais importante é a autorresponsabilidade. Incluí esse termo em 2003 quando escrevi meu primeiro livro. E o que é? É a certeza absoluta e a crença que eu sou o único responsável pelo meu sucesso e fracasso. Se eu tiver sucesso, mérito meu; se eu tiver fracasso, mérito meu. O mundo só vai mudar quando eu mudar. As pessoas querem que o país mude, que a esposa mude, os funcionários mudem, mas essas mesmas pessoas não buscam mudar. Este é o primeiro conceito e princípio quando se falar de desenvolvimento humano. O autoconhecimento permeia todo o processo.

Como foi o processo de criação do seu livro O Poder da Ação?

Foi um acontecimento. Contratei o Roberto Shinyashiki para palestrar comigo e nessa palestra ele ficou encantado com o conteúdo. Ele perguntou: Paulo, esse conteúdo está em que livro? Respondi que estava ali. E ele continuou perguntando: Mas o livro está em que livraria? Respondi que em nenhuma, que eu só vendia para meus alunos. E, então, ele lançou o livro. Eu fui criador do Método CIS, que é um dos maiores treinamentos de inteligência emocional do mundo. Roberto disse que eu estava privando as pessoas de poder mudar e transformar suas vidas e o que ele disse foi forte. No Brasil não se ganha dinheiro com livros, ele continuou, mas você não quer impactar o mundo com as suas ferramentas? Então, seja coerente e impacte o mundo! A editora dele (Gente) publicou meu livro e foi um sucesso logo de cara. Em uma semana acabou a tiragem, replicaram e acabou de novo. Chegava às lojas, durava uma semana e acabava. Todos os meses faltavam livros nas livrarias. Nem eles e nem eu acreditávamos no sucesso que seria esta publicação. Já contabilizamos 1,5 milhão de livros comercializados. Está entre os 10 mais vendidos da Veja. Normalmente um livro tem seis meses, oito meses, quando muito um ano de vida e depois desaparece das prateleiras. O Poder da Ação está há três anos e continua entre os 10 mais vendidos.

Você acredita então que o que falta hoje é as pessoas se autorresponsabilizarem mais por suas ações e crescimento e parar de culpar os outros pelos problemas? Ou seja, assumir as rédeas de sua própria vida?

É exatamente isso que se trata a autorresponsabilidade. É muito fácil sempre culpar o governo e não fazer a minha parte. Culpo minha esposa, mas não faço minha parte. Quero que meus filhos sejam ótimos alunos, mas não faço meu papel de pai. Elas não estão preocupadas em mudar. A base do sucesso humano é isso – primeiro eu mudar, para depois querer a mudança nos outros. Minha vida mudou quando entendi que o problema estava em mim e não nos outros. Quando a pessoa entender que o problema está nela, tudo muda.

As pessoas podem ter as vidas transformadas a partir de uma nova mentalidade emocional?

Vemos isso diária e sistematicamente. Já vi pessoas transformadas nas áreas emocional, conjugal, financeira, profissional, saúde, temos milhares de depoimentos filmados, gravados e escritos de pessoas que mudaram suas vidas no método CIS e Coaching Integral Sistêmico. São juízes, empresários, executivos, todo tipo de gente.

Como atingir isso já que este é o maior gargalo da humanidade por assim dizer?

A inteligência emocional demanda ferramentas. A pessoa está com problema no rim, por exemplo, não vai se automedicar, porque caso contrário não terá sucesso. Ela precisa de um médico especializado em rim. É ele quem vai tratar e orientar. Se for joelho, precisa de um ortopedista especializado em joelho. E a inteligência emocional é uma fratura, metaforicamente falando, tão séria quanto problema no rim e joelho. É um problema na estrutura emocional e precisa de uma pessoa especializada para ajudar.

O problema, na maioria das vezes, não é traçar metas, e sim executar essas metas. Como trazer metas para a vida real?

Na prática, o problema inicia em estabelecer metas. Nem 4% da população brasileira estabelecem metas. As pessoas estabelecem metas, mas não da maneira correta, não da maneira que o cérebro entende. As pessoas precisam saber estabelecer metas neurologicamente corretas para que o cérebro entenda e execute. No ano passado minha empresa faturou R$ 200 milhões. Quem diria que um cara fracassado, que aos 30 anos morava de favor, um dia faturaria R$ 200 milhões? Não era atingível. Quem diria que tantas pessoas que tiveram sucesso, teriam sucesso? Existe método de estabelecimento de metas que prevê todas essas lacunas e faz com que o cérebro ajude com que elas aconteçam e não atrapalhe. Metas mal estabelecidas confundem mais do que orientam.

Quais as dicas práticas para um bom planejamento?

Primeiro: a pessoa precisa saber o que é mais importante para ela. Para alguns será saúde, para outros a família. Então, primeiro é identificar valores, as coisas importantes. Agora, tenho que ter visão de futuro sobre esses valores. O que quero para minha saúde, para meu casamento, minha vida profissional? Qual a visão de futuro? Depois, estabeleço metas para cada visão de futuro, os métodos e os objetivos. E, a partir disso, transformo-os num plano de ação diário e semanal. Crio visão de futuro para esses valores, estabeleço metas e toda semana trabalho em cima dessas metas.

Com a popularização do coaching no Brasil, como identificar um bom profissional?

Na verdade, a gente não precisa buscar um bom profissional, mas temos sim que nos proteger dos maus profissionais. Existe uma campanha anti-coaching. Por que alguém vai contra algo? Se alguma coisa é tão ruim, ela por si só desaparece. O que não tem efetividade que continua no mundo? Que ferramenta não tem efetividade e continuou? Faço coaching há 22 anos e ele só cresce. Nos EUA, o coaching é uma das profissões que mais cresce por 10 anos seguidos. O coaching funciona, se não ele mesmo teria se esvaído. Você conhece alguém que é coaching de alguma aberração? São muito poucos profissionais ruins. Conhece alguém que fez sessão de coaching e não funcionou? Existe na verdade uma campanha contra o coaching e entendo o porquê. Porque funciona e só faz crescer, porque tudo que é novo é debochado e ironizado. Para que o novo continue crescendo, antes ele é criticado, depois ele é combatido e depois aceito. Com o racismo foi assim. O Apartheid foi combatido, criticado e hoje é o oposto. O racista hoje é uma aberração. Galileu Galilei, quando disse que a terra era redonda e girava em torno do sol, muitos falaram que ele era louco. O chamaram de lunático. O termo “lunático” vem daí. Porque ele olhava pra cima e dizia que a lua girava em torno da terra. Quiseram queimá-lo. Ele não foi morto porque disse que era lunático, que estava louco. Então, tudo que é novo causa repreensão e rejeição inicial. Hoje, o Governo Federal também está contratando programa de coach. Os grandes clubes do mundo contratam coach e atletas também contratam coach porque sabem que funciona. Cada vez mais é um caminho sem volta.

Em que momento o coach é necessário para a carreira/empresa?

Sempre que essa pessoa buscar performance, sempre que buscar a realização de objetivos, o coach vai ser muito, muito importante. Eu quero performar melhor como pai, quero performar melhor como cônjuge, quero performar melhor como empresário, como um executivo? Sempre que quiser performance o coach vai ajudar. E se quiser atingir um objetivo grande, o coach também vai ajudar.

Você acha que a tendência é o coach se tornar um pouco mais acessível para as pessoas que querem fazer?

Penso que não. O processo é breve, de 10 a 12 sessões. Então, faço uma metáfora: o coach é como uma Ferrari, que gera grandes resultados em curto espaço de tempo e, por gerar grandes resultados em um pequeno intervalo de tempo, se torna muito valioso. Hoje eu cobro R$ 250 mil em um programa com 10 sessões. Nós temos unidade em todas as capitais do Brasil. São 40 unidades no Brasil e fora do Brasil e elas cobram em torno de R$ 40 mil no programa de 10 sessões. Nossos alunos novatos cobram cerca de R$ 3 mil. Todos os nossos coaches têm por regra uma obrigação moral: dedicar 10% do seu tempo para fazer coaching gratuito. Até hoje eu faço coaching gratuito. Todos os nossos alunos, no Brasil e no mundo, são orientados a dar 10 a 20% de sessões gratuitas. Então, se eles estiveram ministrando treinamento, 10% das vagas são gratuitas. Nós temos isso como base e princípio, sem contar o voluntariado. Para você ter ideia, ajudo 1.700 pessoas. São 1.400 jovens e crianças e 300 mães em uma cidade muito perigosa, Maracanaú, no Ceará. Lá na instituição sem fins lucrativos, estas mães fazem zumba, dança, hidroginástica e têm sessão de coaching. E os jovens fazem natação, muay thai, judô, jiu-jitsu e caratê. É uma comunidade muito carente. E também fazem coaching e reforço escolar. O sucesso pleno só vem quando nos somos capazes de querer crescer, realizar nossos sonhos pessoais e também contribuir com o próximo. Só em Fortaleza, já treinamos gratuitamente 1.500 policiais militares.

Qual mensagem você deixa para as pessoas que querem fazer coaching?

O coaching é uma ferramenta consagrada. As grandes faculdades do mundo têm programa de coaching, não só para alunos, mas para professores. É uma ferramenta breve, com ciclo de 10 sessões, diferente de terapia, psicoterapia, e o objetivo específico é performance e resultado. Trabalhamos reprogramação de crenças e a reestruturação da inteligência emocional. Essa é uma metodologia única que foi criada por mim, há 22 anos, e conseguiu impactar e mudar minha vida. Eu não entendia bem o que era, mas hoje tenho pós-doutorado nos Estados Unidos. Então minha mensagem é: SONHE! Porque existe conhecimento e sabedoria para tudo. Eu tenho uma frase que costumo dizer: “O que eu não tenho é aquilo que eu ainda não sei. Porque se soubesse já teria”. E o coach é uma metodologia não de aprender algo, mas de aprender a aprender.

 

 

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