Diagnósticos de câncer têm queda durante a pandemia e preocupa médicos

Especialista alerta quanto aos riscos das pausas em tratamentos e reforça a importância do diagnóstico precoce

 

Diante da pandemia da Covid-19 inúmeras pessoas estão com receio de procurar hospitais e clínicas, seja para monitoramento da saúde e até mesmo quando percebem algo diferente em seu corpo. Esta insegurança tem afetado inclusive o tratamento de outras doenças, pois as pessoas realizam pausas por conta própria, o que pode gerar situações complicadas. Um exemplo deste cenário é a redução de diagnósticos do câncer, que é uma das causas de morte mais comuns no país e, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), deve registrar 625 mil novos casos neste ano no Brasil. De acordo com um levantamento realizado pelas Sociedades Brasileiras de Patologias e de Cirurgia Oncológica estima-se que no país 50 mil pessoas já deixaram de ser diagnosticadas com câncer desde o início da pandemia, e só em abril, cerca de 70% das cirurgias oncológicas agendadas foram adiadas.

No combate ao câncer o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as chances de sucesso do tratamento, mas com o momento vivido, especialistas tem percebido uma redução na procura por consultas e realização de exames de rastreamento para identificação desta doença. No dia a dia eles ouvem relatos de pacientes que enfrentam um receio de ir até locais de atendimento e encontrar aglomerações ou até mesmo ter o contato com pessoas infectadas pela Covid-19. O cirurgião oncológico do Centro Oncológico do Triângulo, unidade da Oncoclínicas em Uberlândia (MG) e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Dr. Michel Jamil, destaca os reflexos que estes comportamentos poderão trazer no futuro. “A preocupação com o este novo Coronavírus não pode ser um obstáculo para os cuidados com a saúde, pois do contrário as pessoas terão mais problemas por conta desta insegurança. Estamos tomando todos os cuidados e medidas de prevenção para garantir os atendimentos, com segurança e foco nas necessidades de cada paciente. É essencial buscar a ajuda médica ao apresentar sintomas, pois o câncer é uma doença que não pode esperar. Essa redução nos diagnósticos vivida agora também irá acarretar um significativo número de notificações no futuro, o que gera uma demanda maior nas clínicas e hospitais. Há também a preocupação com a evolução do câncer, que dependendo do caso, com poucos meses pode se espalhar para outros órgãos e ser fatal”, comenta o especialista.

Como está sendo amplamente destacado, os pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico, que tenham recentemente realizado cirurgia ou que usam medicamentos imunossupressores são do grupo de risco para a Covid-19 e o receio da contaminação leva a outra preocupação apontada pelo especialista, que é a realização de pausas nos tratamentos. “A individualização tem sido uma premissa, assim avaliamos o paciente que deve ser tratado imediatamente e aquele que pode ter o tratamento adiado. Uma decisão pela pausa nunca deve ser tomada por conta própria pelo paciente, é importante conversar e confiar na equipe de saúde para encontrarem o melhor caminho”, ressalta Dr. Michel, lembrando ainda que há os casos cirúrgicos em que pacientes estão optando por adiar, sendo que há casos em que esta postergação pode gerar fortes impactos.

Mais um fator a ser combatido, e que aumenta a insegurança, é a propagação de ‘fake news’, como explica o Dr. Michel. “Vale ressaltar que a principal fonte sobre a doença precisa ser o seu médico. Sempre há diferenças entre os casos de câncer e a avaliação deve ser realizada por especialistas, evitando a internet como fonte de informação. E isso também vale em relação à Covid-19. Há pacientes que já chegam com tantas informações ao consultório que não buscam esclarecimentos de acordo com seu caso, permanecendo com a insegurança”, finaliza.

Medidas adotadas no Centro Oncológico do Triângulo/Oncocentro

Para garantir a segurança de todos os pacientes e minimizar este receio, as unidades da Oncoclínicas, intensificaram as medidas de segurança e prevenção. Confira alguns dos cuidados adotados e ampliados:

  • Utilização da telemedicina para atendimento aos pacientes, seja por meio online e telefone.
  • Intensificação da esterilização de todos os aparelhos, como os de radioterapia.
  • Adoção de horários afastados entre as sessões.
  • Redução nos fracionamentos para que o paciente vá menos vezes à clínica
  • Testagem da Covid-19 para todo o corpo clínico.
  • Orientação para que aqueles que estejam em melhor condição de saúde, não levem acompanhantes para o local de tratamento.
  • Pacientes com sinal de gripe segue um fluxo diferenciado de atendimento.

Com todas estas medidas, o paciente pode e deve manter sua rotina de cuidados com a saúde na clínica, pois o medo pode gerar complicações. “O paciente não precisa ter medo de continuar o seu tratamento, assim como procurar a clínica diante de sintomas que geram dúvidas e que podem ser investigados com toda a segurança, de forma preventiva. A Covid-19 não deve ser um obstáculo para os cuidados com sua saúde”, observa o especialista.

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