Perigos virtuais

Difusão do ódio, cyberbullying, sequestro cibernético e golpes.

O surgimento da internet possibilitou mudanças tanto no quesito espaço tempo, quanto nos seus usos sociais e comerciais. Ademais, vivemos um momento onde as formas de relacionamentos estão mudando dramaticamente, nossas conexões pessoais e negociais são mais virtuais e precisamos pensar sobre o efeito disso. Usamos tecnologias digitais para atividades cotidianas,  profissionais e pesquisas, mas precisamos estar atentos para identificar conteúdo online aceitáveis e inaceitáveis,   evitando, assim, inúmeros riscos que podem prejudicar  vidas e negócios. Por isso, a Revista Cult detalha um pouco dos principais perigos virtuais, confira:

“Inquestionavelmente, está piorando o ódio”:

testemunho de Frances Haugen sobre o Facebook.

Ódio

Em recente depoimento ao parlamento do Reino Unido, a ex-cientista de dados do Facebook,  Frances Haugen,  reiterou suas denúncias que os algoritmos de classificação,  baseados em engajamentos,  incentivam a criação e disseminação de conteúdo extremista. Falando para um comitê que analisou a proposta de lei de segurança online, ela observou que o Facebook estava ampliando um problema social e tornando-o um problema muito maior para a população em geral. Afirmou ainda que: “Precisamos pensar sobre onde adicionar atrito seletivo aos sistemas para que eles fiquem seguros em todos os idiomas, em vez de confiar na Inteligência Artificial, que se mostrou opaca para observadores externos e também falível”. Haugen também observou que a falta de transparência do Facebook está prejudicando a capacidade de reguladores e de analistas de avaliarem se a empresa está agindo no melhor interesse do público. Ela acredita que até mesmo um requisito básico para publicar uma lista dos experimentos que o Facebook realiza ajudaria. “Se tivéssemos esses dados, poderíamos ver padrões de comportamento e ver se você tem contingências eficazes ou não.”

Ela também afirmou que a atual falta de transparência do Facebook em torno da segmentação e análise deixa as pessoas vulneráveis; “Vimos que, repetidamente, nas pesquisas do Facebook , é mais fácil promover a raiva das pessoas do que a empatia ou compaixão e, portanto, estamos literalmente subsidiando o ódio nessas plataformas. É substancialmente mais barato veicular um anúncio agressivo e violento do que veicular um anúncio compassivo e empático”. Frances Haugen já havia colocado o Facebook diante de sua “falência moral”, o que  levou o Congresso dos EUA a concordar sobre a necessidade de regulamentar as redes sociais.

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Cyberbullying

Na Internet, o cyberbullying é praticado de várias formas, inclui o envio de mensagens de ódio ou até ameaças de morte para crianças, espalhar mentiras sobre elas online, fazer comentários desagradáveis em seus perfis de redes sociais ou criar um site para criticar sua aparência ou reputação. O cyberbullying difere do bullying no pátio da escola, já que os professores não podem intervir na Internet.  Geralmente os  jovens não contam para os pais que estão sendo vítimas de cyberbullying; eles temem que seus pais reajam de forma exagerada ou retirem o acesso à internet.

Predadores sexuais

O mundo online abre a porta para que os jovens confiem na interação com estranhos virtuais. Embora predadores sexuais tenham como alvo crianças em salas de bate-papo, eles migram para onde quer que os jovens estejam online e ficam vasculhando sites de redes sociais que centralizaram informações, como jogos online e outros.  Geralmente os predadores assumem identidades falsas e fingem interesse nas bandas, programas de TV, videogames ou hobbies favoritos de uma criança, parecendo, assim, como seu novo melhor amigo. São astutos e apresentam os mesmos gostos e desgostos para facilitar a interação e ganhar confiança.

Pornografia

Um dos piores perigos da Internet, para muitos pais, é a ideia de que a pornografia poderá surgir e surpreender seus filhos. Mas os pais podem não perceber que algumas crianças também procuram pornografia na web. Você pode ver o histórico do navegador da Internet para ver quais sites seu filho está visitando. Mas, uma vez que as crianças podem excluir esse histórico, você pode querer instalar um software de filtragem de Internet para bloquear sites pornôs em primeiro lugar. Filtros de software não são uma solução perfeita; alguns sites desagradáveis podem escapar, enquanto sites educacionais ou classificados para famílias podem ser bloqueados. Portanto, embora alguns pais possam se perguntar se monitorar significa que eles estão espionando seus filhos, o fator de segurança geralmente vence.

Reputações prejudicadas

Telefones com câmera, câmeras digitais e webcams estão por toda parte hoje em dia, e as crianças podem ser vítimas de sua própria inexperiência com novas tecnologias. Muitos postam fotos, vídeos ou notas online das quais se arrependem mais tarde. Pense antes de postar, porque assim que o fizer, estará lá para sempre. Afinal, a reputação online de uma criança é uma preocupação constante.

Malware

A melhor maneira de proteger seu filho contra malware é começar com seu hábito online, evitando cliques  em links ou anexos. Malware é qualquer programa ou arquivo prejudicial ao usuário do computador. Inclui vírus, worms e outros spywares, que podem danificar a conta do seu filho de várias maneiras. Algumas formas mortais incluem roubar e excluir dados confidenciais, alterar e sequestrar funções centrais de computação e até monitorar a atividade do computador de uma criança sem permissão.

Sequestro cibernético

O sequestro cibernético, ou sequestro de computador, é um tipo de ataque de segurança de rede em que o invasor assume o controle de sistemas de computador, programas de software e ou comunicações de rede, causando graves problemas para a vítima. Atualmente existem vários tipos de sequestro cibernético, entre eles:

Sequestro de navegador é uma tática usada por hackers e anunciantes online sem escrúpulos para assumir o controle de um navegador da web. Na prática, o sequestro de navegador é mais frequentemente usado para redirecionar o tráfego da web, alterar as configurações padrão do navegador ou forçar a vítima a clicar em anúncios. No entanto, também há casos em que os hackers usam navegadores sequestrados para interceptar informações confidenciais e até mesmo fazer vítimas involuntárias baixarem malware adicional.

Sequestro de sessão é um tipo de sequestro de computador em que os hackers obtêm acesso não autorizado à conta ou perfil online da vítima ao interceptar ou crackear tokens de sessão. Os tokens de sessão são cookies enviados de um servidor da web aos usuários para verificar sua identidade e as configurações do site. Se um hacker quebrar com sucesso o token de sessão de um usuário, os resultados podem variar de espionagem à inserção de programas JavaScript maliciosos.

Sequestro de domínio é quando uma pessoa ou grupo confisca a propriedade de um domínio da web de seu legítimo proprietário. Por exemplo, um cibercriminoso pode enviar solicitações de transferência de domínio falsas na esperança de proteger um domínio confiável para orquestrar campanhas sofisticadas de phishing.

Sequestro da área de transferência ocorre quando os hackers substituem o conteúdo da área de transferência da vítima por seu próprio conteúdo, muitas vezes malicioso. Dependendo da habilidade técnica do invasor, o sequestro da área de transferência pode ser difícil de detectar e pode ser espalhado inadvertidamente pelas vítimas quando elas colam informações em formulários da web.

O sequestro de IP acontece quando um invasor hackeia ou se disfarça como um provedor de Internet que alega possuir um endereço IP que não possui. Quando isso acontece, o tráfego destinado a uma rede é redirecionado para a rede do hacker. O hacker então se torna um intermediário e pode realizar uma série de ataques, desde espionagem até injeção de pacotes, inserir secretamente pacotes forjados em um fluxo de comunicação e muito mais.

Sequestro de página  também conhecido como sequestro de redirecionamento 302 ou sequestro de URL (Uniform Resource Locator), um ataque de sequestro de página engana os rastreadores da web usados pelos mecanismos de pesquisa para redirecionar o tráfego na direção do hacker.

Golpe

Estimativas do laboratório especializado em cibersegurança da PSafe indicam que aproximadamente 150 milhões de brasileiros caíram em algum golpe virtual  em 2021. Conheça as formas mais comuns desses golpes e suas consequências:

Furto de identidade: alguém se passa por outra pessoa para obter vantagens ilícitas. A vítima poderá perder dinheiro e temporariamente crédito, ou até ter sua reputação abalada. Pode ser demorado e trabalhoso reverter todos os problemas causados pelo impostor. A melhor forma de impedir que sua identidade seja usada por terceiros é proteger o acesso aos seus dados e às suas contas de usuário.

Antecipação de recursos: um golpista induz a vítima a fornecer informações confidenciais ou a realizar um pagamento adiantado com a promessa de que está receberá um benefício. Em algum tempo, a vítima percebe que o benefício não existe, que foi vítima de um golpe e que seus dados e/ou dinheiro ficaram com o golpista. Desconfie de situações em que é necessário efetuar um pagamento antecipado para receber um valor maior. Não se empolgue tão rápido com uma possibilidade de ganhar dinheiro, nem sequer responda a esse tipo de oportunidade. Se acreditar que pode ter algum valor a receber, tome a iniciativa de procurar informações oficiais.

Golpes de comércio eletrônico: exploram a relação de confiança do usuário nos negócios on-line. A vítima pode ser atraída por uma oferta imperdível e não receber a mercadoria comprada ou o pagamento por um produto vendido, além de passar dados seus ao golpista.

Phishing: um golpista tenta obter dados pessoais e financeiros de um usuário utilizando técnicas de engenharia social. A consequência pode ser o vazamento de informações pessoais e financeiras, além de infectar o computador com códigos maliciosos. Fique atento a mensagens recebidas que tentem induzi-lo a fornecer informações, instalar ou executar programas ou clicar em links. Acesse a página da instituição que supostamente enviou a mensagem e procure por informações.

Pharming: golpe que envolve o redirecionamento da navegação do usuário para sites falsos. A consequência será o vazamento de dados pessoais e financeiros, com possível perda financeira. Desconfie se, ao digitar o endereço do site no navegador, você for redirecionado para outro site, o qual tenta realizar alguma ação suspeita, como abrir um arquivo ou instalar um programa.

Fake: a mensagem tem conteúdo falso e alarmante e  geralmente é enviada por uma empresa importante ou órgão governamental, e até mesmo por um conhecido. Pode trazer problemas tanto para aqueles que a recebem e distribuem, como para aqueles que são citados em seu conteúdo, como conter códigos maliciosos, espalhar desinformação pela Internet, comprometer a credibilidade e a reputação de pessoas envolvidas.

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Dicas de segurança na Internet

A Internet é um recurso maravilhoso que enriquece a experiência de aprendizagem das crianças em todos os aspectos. Quer seja olhando para o Himalaia com o Google Earth ou experimentando a música de terras distantes, a Internet coloca oportunidades, experiências e informações na ponta dos dedos de nossos filhos que de outra forma seriam impossíveis. Mas mensagens instantâneas, salas de bate-papo, e-mails, sites e redes sociais também podem trazer problemas, desde o cyberbullying até os perigos mais sérios da Internet, incluindo a exposição a predadores sexuais. Você sabe como manter seu filho seguro online? Siga estas dicas para proteger seus filhos dos  maiores perigos da Internet.

• Explique que, mesmo que seus filhos excluam as fotos postadas, outras pessoas podem já tê-las copiado para fóruns e sites públicos;

• Diga a seus filhos para não permitirem que ninguém, nem mesmo amigos, tire fotos ou vídeos deles que possam causar constrangimento online.

• Pergunte a seus filhos se eles usam um site de rede social. Olhem o site juntos ou pesquise-o online.

• Diga a seus filhos para não postar o nome completo, endereço, número de telefone, nome da escola e outras informações pessoais que possam ajudar um estranho a encontrá-los. Lembre-os de que as fotos, como o seu filho com uniforme da escola, podem dar pistas de onde eles moram. Peça-lhes que jamais enviem fotos para qualquer pessoa.

• Saiba mais sobre as configurações de privacidade que permitem que as crianças escolham quem pode ver seus perfis. Explique que os estranhos que os abordam online nem sempre são quem dizem ser, e que é perigoso conhecê-los na vida real. Diga-lhes para não enviar mensagens instantâneas.

• Quando se trata de segurança na Internet, nada substitui a supervisão dos pais. Coloque o computador em uma área comum de sua casa, não no quarto de uma criança, para que você possa ficar de olho nas atividades online. Use sempre mensagens  como “página supervisionada pelos pais”.

• Peça a seus filhos que relatem qualquer solicitação sexual online para você ou outro adulto de confiança

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