No passo e no compasso da vida

Estes dias, conversando com amigos sobre estes tempos sombrios para a humanidade, tentávamos entender aonde poderemos chegar com a incapacidade de entender e aceitar o outro como ele é. A dificuldade de aceitação do contraditório é imensa. A sensibilidade para ouvir o outro inexiste. O mundo e as pessoas estão “rasos”. Entende-se o eterno, busca-se um amanhã melhor como se fôssemos viver, indefinidamente, na Terra. A única certeza que temos ao nascer parece abandonada por nós a todo momento. A individualidade alheia inexiste, e o sempre discutível comportamento de massa prevalece. Nada contra, mas os resultados catastróficos para todos estão postos.

Com um destes amigos, o William Brito, com quem acompanho a situação de nossas crianças, tentávamos entender o que aprendemos na pandemia. Aprendemos? Como se darão as diversas políticas públicas de agora em diante? Uma das nossas preocupações era com a falta de vagas nas escolas. A outra, a falta de escolas, principalmente nos locais onde se concentra a maior parte dessas famílias carentes. O aumento de natalidade é fato não considerado neste novo normal anormal. O imprevisível deste novo tempo que se avizinha está sendo pensado? A resposta é não. As redes poderiam ajudar, mas temos massa crítica para isso? Fica a dúvida ou reflexão. Eu e William nos alinhamos com quem quer ajudar na discussão e, de fato, na solução. Esperamos mais voluntários.

A outra amiga, Mariângela Abrão, enviou-me um texto de Eliane Brum, que pede licença poética à filósofa Hannah Arendt, para brincar com conceitos complexos adequando e substituindo a palavra banalidade pela palavra boçalidade ao se referir ao mal. Arendt testemunhou o julgamento do nazista Adolf Eichmann em Jerusalém. O que levou Arendt a cunhar o conceito banalidade do mal foi perceber que não havia em Eichmann arrependimento, tristeza, enfim, ele apenas acreditava estar cumprindo seu papel na burocracia da época. A banalidade do mal se instala na ausência do pensamento. Eliane brinca e troca os termos e acredita que a boçalidade do mal é fruto da internet. Recomendo essas leituras. Mariângela e eu concordamos com Eliane e aguardamos mais pessoas para pensar e respeitar o pensamento alheio. O fato, de fato, é pensar!

Ainda com os amigos Heitor Átila e Ana Paula, o assunto era o metaverso. Desde o WhatsApp, parece que experimentamos a “metaversização” da vida, transmitindo emoções por emojis, fato ampliado pela pandemia. Famílias que ficaram dois anos sem abraços trocaram muitos desses emojis, reuniões virtuais, compras e vendas on-line, afastando-se do convívio e do calor humano. Esta é a visão do Heitor. Ana Paula entende, mas acha que temos alguns pontos que podem ser positivos neste processo. Ela já prepara seu avatar, Heitor também, para alertar dos perigos gerados pelo Zuckerberg, esse “muito mais vilão que mocinho”, sentencia Flávia, minha mulher. O importante é que os três continuam avaliando como melhorar a convivência presencial para evitar a “gamificação” da Vida. Essa é uma tarefa para todos. Quem se habilita?

E assim, no passo e no compasso da vida, caminhamos a passos largos para o desconhecido, a derrocada. É preciso reagir com o melhor da gente e de toda gente, a emoção. O equilíbrio, a razão e emoção são importantes demais, mas tecnicismos em demasia podem pôr tudo a perder. Acerte o passo com a existência do bem, evite o descompasso da agressividade gratuita.

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