MULHERES INDEPENDENTES 

Dr. Jorge Pfeifer | Psicólogo e Psicanalista

HOMENS E MULHERES FORAM BUSCAR NOVOS

LUGARES E PAPÉIS PARA CONSTRUIR SUA IDENTIDADE

Se, no passado, o lugar da mulher se fazia por papéis pré-determinados, no mundo moderno este personagem se redefine através de muitas lutas pessoais e sociais para tornar-se um ser profissional e construir a sua própria identidade. A história passada lembra o homem representando a força e o poder, que lutava para sobreviver, e da mulher falava-se pouco. Nessa situação de evolução coletiva de lutas, de dominação e poder, homens e mulheres foram buscar dentro de sua natureza novos lugares e papéis para se saberem sujeitos de seu próprio destino. Talvez seja esta a grande tarefa que a vida nos impõe para sermos pessoas humanas. Estar na natureza por milênios, crescer e multiplicar através da nossa própria história. A isso chamamos de evolução, condição essencial do pensamento e da razão de estarmos no mundo. Foi nesse contexto de barbárie, sem leis internalizadas, que homens e mulheres foram buscar novos lugares e papéis para construir sua identidade. Foi nessa luta pela sobrevivência que este animal humano tornou-se sujeito.

Com tantas mudanças, o homem se fez sujeito e a mulher sua companheira. Muitos séculos se passaram, muitos lugares e papéis foram modificados e, com a revolução industrial, o mercado de trabalho fora de casa foi buscar nas mulheres a mão-de-obra necessária. Nascia ali a mulher operária num mundo industrializado. As grandes guerras podem ter sido o sinal e sintoma de que existia um espaço novo para estas servis donas de casa. Nessa evolução, a exploração, a dominação e a posse se tornam manifestações protetoras e punitivas do mais forte sobre o outro, que a isso tudo se submete para não morrer de fome. Hoje podemos afirmar que a necessidade da mão de obra feminina no mercado profissional levou as mulheres a buscarem nos estudos as carreiras que cumprem com igual capacidade. Sobretudo fazê-las seguras de que o machismo e os privilégios masculinos não podem afetá-las, nem enfraquecê-las. Que a manutenção das desigualdades não conseguem mais destituir da mulher sua força e coragem de lutar por aquilo que acreditam. O que ambos devem entender e aceitar é que não é a identidade sexual que os dividem e, sim, um mundo em constantes mudanças. Vale pensar que este “poder” pode ser dividido e transformado numa fonte de mútua confiança, onde essa nova mulher deva estar sempre presente.

 

Dr. Jorge Pfeifer é psicólogo, psicanalista e articulista.

 

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