Desertos de notícias e desinformação 

Adriana Sousa

 

O que podemos fazer para fomentar o jornalismo local?

Em dezembro de 2019, foi divulgado o Altas da Notícia, um estudo nacional que revelou que 62,6% das cidades brasileiras são consideradas “desertos de notícias”. Nestes municípios não há jornal impresso, jornalismo em rádio, televisão ou internet. As notícias se resumem ao que chega pelos veículos nacionais, em especial, a TV. O cidadão acompanha o que chega do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, mas não tem acesso à informação isenta sobre o que acontece na Câmara Municipal ou na Prefeitura da sua cidade. O levantamento envolveu 3.487 municípios brasileiros e foi desenvolvido pelo Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo) em parceria com outras instituições.

Uberlândia não é um deserto

Quais são os principais riscos deste processo de desertificação informativa? Para o coordenador da pesquisa, jornalista Sérgio Ludtke, a falta de jornalismo local de qualidade agrava o problema da desinformação, especialmente em anos eleitorais, como será 2020. Fazer jornalismo de qualidade envolve investimento e inovação. Só em 2019, mais de 300 jornais deixaram de circular no país. Campanhas de desinformação reforçaram conceitos ultrapassados como a resistência à vacina, terraplanismo e proibição de livros. O jornalismo não vai resolver o problema da desinformação e das mentiras que circulam no ecossistema digital do qual fazemos parte, mas pode ajudar a encontrar caminhos. Uberlândia não é considerada um “deserto de notícia”. Temos um jornal impresso, revistas, telejornais, jornalismo em rádio e na internet. Contamos com duas faculdades de Jornalismo e uma terceira a caminho. O desafio agora é impedir que a desertificação informativa nos atinja e provoque males ainda difíceis de definir e exemplificar.

Crédito

Adriana Sousa é jornalista, redatora e coordenadora de um curso local

de Jornalismo. Para acessar o Atlas da Notícia: https://www.atlas.jor.br

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