A surpresa da chuva

BEM CULT

Mônica Cunha
Fotos Bruno Fernandes | Caprice Cerchi

“Uma ao lado da outra, as flores da Sibipiruna da minha infância”

Eu estava entre o sonho e a preocupação de perder a hora. Quase todo dia é assim, medo de acordar depois do sol. Foi quando meus ouvidos perceberam o som parecido com a aterrissagem de quem pula o muro. No caso, algum meliante perdido na madrugada. Estiquei a escuta. Fiquei vigiando e o coração acelerou um pouquinho.  Levantei meio cambaleando e fui até a janela. Abri uma parte da veneziana e espiei noite adentro. Meus olhos embaçados perceberam que não havia ninguém, graças a Deus! Mas, bastou inspirar mais profundamente para sentir a presença da chuva. O barulho era de pingos grossos espalhados pelo telhado e lá no banco de madeira. Fiquei um tempinho com o cheiro da terra molhada no nariz. Nem vi que horas eram. O ar me deixou mais sonolenta e me fez dormir até às quatro. Ao sair de casa tudo mais sereno, literalmente. Logo à minha frente o asfalto sumiu! Diminui mais ainda a velocidade para não estragar aquela beleza: a rua forrada de amarelo. Uma ao lado da outra, as flores da Sibipiruna da minha infância. Despencaram com a ventania e com o toque suave da garoa. Queria ter parado para tirar uma foto, observar de pertinho aquela obra divina, mas tive que seguir. Assim como avançamos nessa nova estação. Primavera… é tempo de florescer. Será que teremos coragem para tanto? Acredito que vale tentar!

Mônica Cunha é jornalista e apresentadora de televisão.
[email protected]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Políticas de Privacidade e Termos e condições, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.