Influência digital com responsabilidade

MUNDO CULT

Paulo Gabriel Jr.
Fotos Arquivo Pessoal | Pexel

Podemos usar este poder para ajudar e conectar pessoas, marcas, projetos e afins.

O poder de um influenciador digital é muito grande, por isso, você precisa ter responsabilidade ao se tornar um. Estudo feito em agosto de 2019 pelo Instituto Qualibest, em parceria com a Spark, apontou que cerca de 76% dos usuários de internet no Brasil já consumiram produtos ou serviços após a indicação de influenciadores digitais. A pesquisa foi feita com 1,1 mil pessoas com 15 anos ou mais, de todos os gêneros, regiões do País e faixas sociais. Isso mostra que direta e indiretamente falando, os criadores de conteúdo para internet incitam o pensamento e as ações de milhares de pessoas, inclusive de crianças e adolescentes. Um digital influencer é capaz de mudar comportamentos, levantar bandeiras, debater temas e incitar sentimentos e isso, em hipótese nenhuma, pode ser negligenciado ou usado de forma errônea. É preciso entender que muitas das vezes esse poder de influência pode fazer mal aos telespectadores e não de uma forma intencional. Vou dar um exemplo: é muito comum vermos os blogueiros e blogueiras recorrendo a procedimentos estéticos invasivos para se encaixarem num padrão, lipoesculturas das mais diversas possíveis, harmonizações faciais, preenchimentos muito volumosos e clareamentos hiper avançados. Toda uma comunicação que, sem um cuidado na sua transmissão, pode estar colaborando com a baixa autoestima dos telespectadores. Pesquisas já apontaram que a vida nas redes sociais fragiliza não só a nossa relação interpessoal como também a nossa relação com o nosso corpo. Não é errado recorrer a procedimentos estéticos, o que prego aqui é que façamos isso com responsabilidade. Que passemos a mensagem de que as pessoas são bonitas com suas particularidades e que você não precisa fazer tudo isso para se sentir bem. Faça quantos procedimentos forem necessários, mas ao anunciar isso, faça com o cuidado de ajudar as pessoas a aceitarem seus corpos e qualidades. Afinal, não existe padrão de beleza. Não quero ficar aqui parecendo o chato, mas acredito, sim, que podemos usar este poder para ajudar e conectar pessoas, marcas, projetos e afins. Uma conexão real, autêntica e cheia de significados para o bem.

Paulo Gabriel é criador de vídeos de humor para internet, possui três
pós-graduações em comunicação social e professor de marketing.

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