ALMOFADINHAS DE AFETO

Escrito por Mônica Cunha | Redação Cult

“ENTENDI QUE FOI UM RECADINHO DOS ANJOS
PARA ACALMAR UMA ALMA IRRITADA POR NADA”


Legenda: Mônica Cunha e Kátia Lázara: encontro feliz!

Sabe aquele ditado: amanheceu com a avó atrás do toco? Então, quem nunca, não é? Às vezes, a gente nem sabe o que houve, o que aconteceu, apenas percebe que o humor não está dos melhores. Outro dia acordei assim. Era terça-feira. Não gosto, mas quem disse que a gente está no controle de tudo. Aliás, não temos o controle de absolutamente nada, certo? Enfim, fui seguindo a ordem do dia. Trabalhei bastante. Almocei. Cumpri compromissos e confesso que chorei um bocadinho. Até que chegou a hora de ir à consulta com minha médica, Melissa. Decidi levar um mimo. Fazia tempo que não nos víamos e considerei delicado levar um agrado. Tenho essa mania. Pra mim, boa mania. Pensei em comprar uma xícara cheinha de chocolate artesanal. Estacionei nas vagas da praça rodeada de sibipirunas, a poucos metros da cafeteria, onde também há muitos doces. Ao descer do carro, mudei completamente de ideia. A intuição me aconselhou a comprar um cheirinho para o consultório. E foi o que fiz: comprei uma caixa com vela e um spray de baunilha. Cheiroso que só! E antes de pagar, muita prosa com a dona da loja, Aline. Até que outra cliente entra, cumprimenta e me reconhece. Na hora, vou abraçá-la. Era Kátia Lázara, morena, alta, exuberante. Tinha ido até lá para encomendar uma essência. Mas também fez uma compra: uma caixinha com sachês perfumados, daqueles para deixar gavetas e armários com aromas de flores, folhas e especiarias. Kátia me perguntou o que eu achava da escolha. Respondi que ela acertara no alvo. A pessoa com certeza gostaria e muito! A fragrância era de flor de algodão. Suave e único. Inspirei profundamente. Era quase um convite para relaxar. Do conforto do pensamento me volto no mesmo instante para a realidade e ouço dela: “É pra você”! Respondi estupefata: “Oi? Como assim, Kátia? Acabamos de nos conhecer”! Sem pensar muito, Kátia me olhou nos olhos de um jeito assertivo e confiante. E determinada, se justificou: “meu coração pediu”. Resourei e sorri. Por fora e lá no canto de mim. E entendi, assim que ela saiu, que foi um recadinho dos anjos para acalmar uma alma irritada por nada, que se culpava o dia inteiro por isso, mas que se sentiu perdoada ao receber o carinho de quem nunca viu.

Mônica Cunha é jornalista e apresentadora de TV.

monikacunha@uol.com.br

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