EMPRESA PROPÕE SOLUÇÕES PARA DIGITALIZAR A INDÚSTRIA

Alitéia Milagre | Jornalista

“O maior desafio é quebrar essa cultura ainda resistente nas empresas. Atualmente, o empresário quer saber quanto vai ter de ROI. Está mais disposto a investir em ativos do que em tecnologia e em sistemas”, afirma Angela Gheller, diretora de Manufatura , Logística e Agroindústria da TOTVS.

Cirurgia robótica, inteligência artificial, automação, transformação digital, sociedade 5.0, indústria 4.0. Estes são apenas alguns nomes que já estão sendo usados quando o assunto é novas tecnologias, mudança de paradigma, inovação, repensar e até mudar a jornada do cliente. O mundo está mesmo caminhando com muita velocidade para o futuro que já chegou. O alemão Klaus Schwab, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial, batizou a quarta fase da industrialização de quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0. No setor de manufatura, a digitalização é uma realidade para muitos empresários graças às soluções da TOTVS.

De forma bem simples Angela Gheller, diretora de Manufatura e Logística da TOTVS, encarregada de ajudar na transformação digital de 6 mil clientes, explica o que é a Indústria 4.0, porque ela é tão importante para a sobrevivência das empresas, como a TOTVS tem ajudado as indústrias a se adequarem a esse novo modelo e qual é o maior desafio enfrentando para convencê-las de que este é um caminho sem volta. A manufatura é um dos 10 segmentos em que a TOTVS atua.

Segundo Gheller, a indústria 4.0 nada mais é do que ter o chão de fábrica todo digitalizado, com equipamentos, sensores, robôs, máquinas conectadas que gerem dados online para a tomada de decisões. “Esse tema acabou assustando um pouco os empresários e as indústrias, que acharam que era preciso ter tudo automatizado, com robôs e máquinas automáticas. Essa evolução é gradual”, esclarece.

Para desmitificar essa ideia, a TOTVS, em parceria com associações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e o Senai, criou um modelo de empresa automatizada. “Com o objetivo de facilitar o entendimento, montamos uma mini fábrica automatizada, na qual o empresário consegue visualizar como funcionaria a jornada dele nesse formato de manufatura 4.0, com as tecnologias disponíveis hoje. Essa maquete fica na região de São Caetano (SP)”.

Grau de maturidade das empresas

E a TOTVS foi mais longe. Com o intuito de verificar o grau de maturidade que as empresas têm quando o assunto é crescimento e investimento em inovações, ela realizou uma pesquisa denominada ‘Índice de Produtividade Tecnológica’ com 800 pequenas, médias e grandes empresas com faturamento anual acima de R$ 15 milhões. Destas 800, quase 100% têm solução de Enterprise Resource Planning (ERP), um sistema de gestão que permite acesso fácil, integrado e confiável aos dados de uma empresa. Porém, quando são avaliadas, o uso de mais soluções, os indicadores caem. Quando o foco são ferramentas para controle de entrada, recebimento, saída, logística e controladoria, esse percentual cai para 72% das empresas utilizando o ERP. Um dos dados que mais chama atenção é sobre a utilização do ERP para automatizar o chão de fábrica. Apenas 42% utilizam o sistema. Isso significa que poucas indústrias contam com o ERP para fazer o apontamento e o cálculo da produção, para fazer um planejamento avançado pegando todos os pedidos de venda, avaliando cada recurso que essa máquina tem, quanto ela pode utilizar, quais turnos que pode processar.

“As tecnologias rumo à Indústria 4.0 já estão disponíveis e muito mais acessíveis do que há cinco anos, inclusive com relação a preço e utilização, mas a real mudança acontecerá apenas quando as empresas se adaptarem a uma nova cultura de análise de dados, porque são esses dados que as ajudarão a tomar decisões mais assertivas e rápidas. Em alguns mercados isso vem se tornando realidade. As montadoras de carro, por exemplo, já têm todo negócio voltado para alugar carro, porque a produção já não é mais o seu negócio e elas farão de tudo para que suas cadeias mudem. Empresas que praticam a análise de dados estão um passo à frente das demais”.

Na pesquisa ‘Índice de Produtividade Tecnológica’, apenas 59% afirmaram ter Business Intelligence (BI), tirando proveito da relação dos dados do ERP e do chão de fábrica para tomar decisões mais assertivas. “Esse percentual é muito baixo. O indicador de maturidade da indústria é mensurado numa escala de 0 a 1. As empresas ficaram na marca de 0,52. Temos muito a caminhar. Não importa o tamanho das empresas. As médias e pequenas estão perto do 1. Tivemos 13% das empresas com margem de 0,75 a 1. O caminho para a manufatura 4.0 não se resume apenas a tecnologia, mas também ter informação de modo mais refinado para tomada de decisões corretas”.

Segundo levantamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a estimativa anual de redução de custos industriais no Brasil, a partir da migração da indústria para o conceito 4.0, será de, no mínimo, R$ 73 bilhões/ano. Além de redução de custos, essa economia envolve ganhos de eficiência, o controle sobre o processo produtivo, a customização da produção, dentre outros.

Desafios

A aderência à indústria 4.0 deverá acontecer gradativamente. Em 10 anos, estima-se que 15% das empresas do setor de manufatura já tenham esse conceito inserido em suas atividades. Hoje, menos de 2% das organizações do país estão genuinamente estabelecidas nesse conceito, de acordo com especialistas da ABDI.

Angela Gheller salienta que o maior desafio é quebrar essa cultura ainda resistente nas empresas. Atualmente, o empresário quer saber quanto vai ter de Retorno sobre Investimento (ROI). Está mais disposto em investir em ativos do que em tecnologia e em sistemas. As TIs que estão dentro das empresas têm o desafio de mostrar esse retorno com as soluções que potencializam esse amadurecimento digital nas indústrias. A TOTVS tem diversas soluções. Uma delas é a TOTVS MES – Manufacturing Execution System – ferramenta que monitora cada fase da produção no chão de fábrica, conectando digitalmente as máquinas e equipamentos ao ERP, para obter a produção realizada, materiais aplicados, movimentações, paradas, perdas e retrabalhos, transformando tudo em indicadores visuais em tempo real. Tem também a APS – Advanced Planning Schedule, solução completa de planejamento de produção atendendo os conceitos de MRP. O objetivo dessa solução é gerar o melhor cronograma de entrega possível em cada linha de produção, otimizando fluxo de entrega. “Não adianta bater na tecla de que a manufatura precisa usar soluções de planejamento avançado sem mudar a cultura dentro da indústria, pois ela já tem seu modus operandi. Por isso, optamos por desenvolver soluções pequenas”.

Outro desafio citado por Angela é o de treinar e educar as empresas que vão investir. Segundo ela, não dá para esperar a gestão pública nesse sentido. “O governo tem financiado projeto de manufatura 4.0, porém falta o empresário entender a jornada como um todo. As empresas sabem que precisam mudar, mas falta essa desmistificação do que é manufatura 4.0. A jornada começa com a análise de dados, digitalizando do chão de fábrica sem gastar tanto, com sensores e outras tecnologias viáveis. Para isso tudo acontecer, o CEO precisa entender os conceitos, como utilizar e determinar qual a jornada de digitalização quer para a empresa dele. Estamos no caminho certo. Quase 100% das nossas empresas têm soluções de ERP. Isso é mudança de cultura organizacional que depende de o líder entender onde está e aonde quer chegar. Ele precisa determinar e comunicar essa jornada e ser exemplo nessa transformação 4.0 até a chegada da 5.0, pois a inovação é uma constante”, conclui Angela Gheller, diretora de Manufatura e Logística da TOTVS.

 

 

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