Deborah Colker retorna a Uberlândia 

Carlos Guimarães Coelho | Jornalista e Produtor Cultural

Foto: Divulgação

O espetáculo ‘Rota’ impressiona as plateias de todo o planeta desde que foi criado há 23 anos.

Riscos, rabiscos, cores, movimento, desafio. Gravidade, leveza, diversão e arte. Assim é a estética da arte que nos (co)move. E assim nasce a admiração por aqueles que sabem realizá-la. Um dos grupos de dança mais viscerais do planeta, a Companhia de Dança Deborah Colker, está de volta à cidade. E vem com um dos seus espetáculos mais emblemáticos: Rota, aquele que abre nos arrebatando com o movimento leve da juventude e, após um respiro no entreato, nos causa vertigem no desafio à gravidade. As apresentações serão dias 20 e 21 de março, no Teatro Municipal de Uberlândia, o mesmo no qual este grupo foi o primeiro a apresentar-se, à época de sua inauguração. O espetáculo Rota impressiona as plateias de todo o planeta desde que foi criado, há 23 anos, em 1997, a exemplo de todos os demais trabalhos do grupo. É uma das coreografias que compõem a premiada investigação de Deborah Colker sobre movimento e espaço – que resultou em Velox (1995), Rota (1997), Casa (1999) e 4 por 4 (2002). Rota foi organizado em dois atos. O primeiro com quatro movimentos, nomeados como uma partitura musical: 1 – Allegro, 2 – Ostinato, 3 – Vigoroso, 4

– Presto. Nestes quatro movimentos foi utilizado o vocabulário do balé clássico, brincando com gestos do cotidiano e movimentos de chão. O segundo ato é dividido em dois movimentos: 1 – Gravidade e 2 – Roda. Gravidade surgiu da atmosfera que envolve os astronautas, do deslocamento dentro de uma nave, da ausência de gravidade. A roda é inspirada nos parques de diversões, na rotação da Terra.

A coreógrafa Débora Colker dispensa apresentações. Carioca de 60 anos, foi a primeira mulher a dirigir um show do Cirque du Soleil, o espetáculo Ovo, foi considerada pela Revista Época uma dos 100 brasileiros mais influentes do ano, recebeu o prêmio Laurence Olivier Award na categoria “Oustanding Achievement in Dance”, teve espetáculo de dança na abertura da Copa do Mundo 2006, na Alemanha, e foi a diretora de movimento das Olimpíadas do Rio 2016. Uma folha corrida de atividades culturais com destaque em nível mundial. Deborah foi jogadora de voleibol. E também estudava piano. Eram os anos de 1980, quando teve o seu encontro com a dança contemporânea, integrando o grupo Coringa, da uruguaia Graciela Figueiroa, que marcou época no Rio de Janeiro naquela década. Em 1984, ninguém menos que uma das atrizes mais expressivas da cena teatral brasileira, a inesquecível Dina Sfat, a convidou para ser diretora de movimento – expressão especialmente cunhada para ela pelo encenador Ulysses Cruz. O termo passou a ser usual no jargão cênico brasileiro. No contexto deste trabalho, Deborah trabalhou, por exemplo, na criação dos movimentos dos bonecos-cachorros da TV Colosso – um marco na programação televisiva infantil brasileira dos anos 1990. Há muito o que se dizer sobre Deborah Colker, seja antes ou depois de, há 26 anos, fundar a companhia que leva seu nome. Deixou sua marca de coreógrafa em videoclipe, na moda, no cinema, no circo, no showbiz e até mesmo na principal festa brasileira, o Carnaval, repetidas vezes, assinando a coreografia de comissões de frente de grandes agremiações, como Mangueira, Unidos do Viradouro e Imperatriz Leopoldinense.

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