O paradoxo da conexão desconectada

Júnior Q9 | Publicitário

“Shippar” virou um verbo tão efêmero que não permite nem o sofrimento da perda, simplesmente porque a fila anda.

O fato do seu filho ficar horas no celular, mesmo quando o aparelho está conectado na tomada te irrita? Já parou para pensar com quem ele aprendeu tal proeza? Hoje quero falar sobre o paradoxo da conectividade que desconecta os imprescindíveis e conecta o relacionamento raso sem perspectiva, sem amor verdadeiro e sem o olho no olho. Talvez seja exatamente esse o motivo das pessoas preferirem a conexão do futuro onde o “shippar” virou um verbo tão efêmero que não permite nem o sofrimento da perda, simplesmente porque a fila anda. Essa nova dinâmica das interações humanas se torna preocupante quando olhamos para o futuro dos jovens que chamo de nativos digitais e vemos adultos que não tiveram o prazer de ter amigos de infância real, que aprenderam mais através de pesquisas e discussões em fóruns, vlogs e chats do que com a experimentação e vivência com pessoas reais, em ambientes reais. E se continuarmos nesse pique da remada, iremos presenciar, em um futuro bem próximo, uma sociedade onde os sentimentos e as relações humanas terão outra conotação, o peso e outras utilidades. Porque o amor não será tão vibrante, o ódio não será tão repugnante, a indiferença não irá ferir, a ilusão fará parte da rotina e as emoções perderão o sentido em um mundo onde a tecnologia tem tudo para ajudar, mas aparentemente não irá, porque está nas mãos de seres humanos racionalmente irracionais.

Crédito

Júnior Q9 é ator, músico, dançarino, humorista, compositor e autor do livro “Quer? Levanta e pega!”, publicado em 2018 pela Editora Assis, que aborda inteligência emocional, sucesso nos negócios e atitudes empreendedoras.

 

 

 

 

 

 

 

 

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