O show não pode parar

Os impactos da pandemia em diversos setores culturais

Foto: banco de imagens

Devido a necessidade do isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19, uma das primeiras medidas anunciadas pelos órgãos da vigilância sanitária foi a interrupção de shows, teatros, cinemas, casas de espetáculos, museus e bares. Em consequência da grande aglomeração de pessoas nestes eventos culturais, a lista de cancelamentos começou antes mesmo da Organização Mundial da Saúde declarar pandemia global.

Um duro golpe na renda e atividade de quem vive dessas formas de expressão artística, sejam empresários, produtores, atores, músicos, técnicos e até seguranças. De acordo com a Forbes, a perda do mercado musical pode chegar a U$5 bilhões este ano. As precauções para frear o contágio do vírus também afetou o setor de audiovisual, uma vez que cinemas foram fechados, e a gravação de filmes, séries e novelas adiados.

Tais cancelamentos afetam financeiramente todos os envolvidos: desde os profissionais que atuam por trás das câmeras até os ambulantes que vendem cervejas na porta dos shows. Esta vasta rede de trabalhadores terceirizados e autônomos geralmente não ganham um salário fixo ou possuem carteira assinada, logo, ficar sem trabalhar por longos períodos traz preocupações em torno da questão financeira.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 44% dos brasileiros atuam de maneira autônoma e cerca de 5 milhões de pessoas trabalham no setor cultural brasileiro. Além disso, de acordo com o “Atlas Econômico da Cultura Brasileira”, lançado pelo Ministério da Cultura, o setor cultural foi responsável por 2,64% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017.

Dessa forma, ao serem interrompidos os bailes e bares onde trabalhavam, muitos artistas estão fazendo apresentações ao vivo via internet para seus fãs e para alegrar pessoas isoladas em suas casas. Assim, cumprem  o determinado por Milton Nascimento; “Todo artista tem de ir aonde o povo está”, contribuindo para levar entretenimento e conforto para milhares de pessoas.

Renato Quase Russo. Foto fornecida pelo músico.

O mineiro Renato Quase Russo, reconhecido como o melhor cover da Legião Urbana no Brasil, é um destes artistas. O músico realizou nesta sexta-feira (03/04) sua primeira apresentação pela internet para mais de 2.200 pessoas. Em entrevista para a Revista Cult, Renato afirmou que considera este número de espectadores bem positivo, e também relevou a intenção de fazer muitas outras. “Em tempos de quarentena, é a maneira que a gente tem de deixar o público, a galera que nos acompanha, perto de nós”, comenta.

 

 

Sérgio Tolucci. Foto fornecida pelo músico.

Sérgio Tolucci, músico profissional e produtor de eventos na Tolucci Produções, contou para a Cult que teve a ideia de fazer as lives do show como uma alternativa para ajudá-lo com suas despesas, além de se manter mais ativo.

“[…] Sei que a música é também uma forma de terapia, uma forma de ajudar as outras pessoas a enfrentarem esta situação”, afirmou Tolucci. Logo surgiu a oportunidade do músico participar de lives com oito parceiros comerciais, possibilitando que o artista recebesse uma renda mínima para manter suas despesas básicas.

Surpreso com a notável participação do público, pedindo músicas e fazendo elogios, Sérgio Tolucci viu em suas lives uma maneira de se reinventar com outras perspectivas de formas de trabalho. “Vejo que tem dois lados: fortalece a minha imagem como músico e leva uma energia muito positiva, de esperança, de alegria e de paz para quem está ouvindo.”, afirmou.

 

Por Communicare Jr. | Mariana Palermo

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