Universidades públicas desenvolvem formas mais rápidas de diagnosticar o novo coronavírus

De norte a sul, grupos de pesquisa e laboratórios estão no combate ao vírus

Foto: Divulgação | UFU

Desde que foi declarada a pandemia de coronavírus, pesquisadores de todo o mundo estão desenvolvendo testes rápidos para ampliar a capacidade de diagnosticar a COVID-19. No Brasil, as iniciativas utilizam diferentes estratégias de detectar o vírus ou os anticorpos gerados pelo organismo para combatê-lo. A maioria das pesquisas está concentrada nas universidades públicas e propõem formas mais rápidas e baratas de diagnosticar o vírus. 

Na região uberlandense, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) apresentou duas propostas de diagnóstico rápido para a COVID-19 ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), uma baseada em técnicas de fotônica e outra em sensores eletroquímicos. 

Os sensores para o diagnóstico do novo coronavírus em saliva foram desenvolvidos no Laboratório de Nanobiotecnologia do Instituto de Biotecnologia (IBTec/UFU). O método também serve para que as pessoas façam suas próprias coletas de amostra de saliva para diminuir o risco de contágio dos agentes de saúde. 

Foto: Milton Santos | UFU

Segundo informações divulgadas pelo Comunica UFU, o portal de notícias da universidade, os testes propostos pela UFU não precisam de reagentes, que são substâncias necessárias para desenvolver os testes convencionais do coronavírus e que estão em falta devido à demanda mundial. Além de poder identificar outras doenças, o teste fica pronto em cerca de dois minutos. 

“No caso do sensor biofotônico, o teste é feito em nuvem usando um algoritmo na internet, enquanto que o eletroquímico é realizado diretamente no smartphone com o auxílio de pequeno equipamento que parece um pendrive e microchips”, explicou o coordenador da pesquisa, professor doutor Luiz Ricardo Goulart Filho, do IBTec/UFU. 

De acordo com Ana Flávia Notário, doutoranda do Laboratório de Nanobiotecnologia da UFU e uma das estudantes de Engenharia Biomédica que participou da pesquisa, o projeto tem como base o desenvolvimento de um sensor com custo reduzido. “Isso poderia aumentar a acessibilidade, permitindo que mais Estabelecimentos de Saúde adquiram esse sistema. Então, além de poder ajudar nesse momento, temos esperança de que consigamos atingir pessoas em todo o território nacional, mesmo depois da pandemia”, afirma Notário. 

O desenvolvimento desta pesquisa vem sendo feito desde 2016 para doenças como câncer, dengue e zika, e é formada por uma equipe multidisciplinar, como o químico Mário Martins, formado pela UFU. “Tudo isso foi possível quando integramos várias áreas e essa união permitiu fazer uma ciência que tenha aplicação para a realidade do país (…). Como trabalhamos com um grupo muito diversificado, a parte de aprendizado é incrível”, conta Martins. 

Ainda segundo Ana Flávia Notário, o grupo está reunindo o que já conseguiram para validar, em referência ao pedido de patente que aguardam e os testes que são exigência da Anvisa. A oportunidade de aplicar esse estudo em um momento crítico para a sociedade traz um sentimento de gratidão. “Me sinto grata por representar a comunidade científica como um todo, estou rodeada de pessoas ótimas. Trabalhamos nos bastidores e por vezes somos esquecidos pela sociedade, então, poder mostrar que estamos aqui e estamos fazendo nossa parte é uma boa recompensa”, afirma Notário.

 

CONHEÇA OUTRAS AÇÕES DAS UNIVERSIDADES 

Nas outras partes do Estado, como na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Belo Horizonte, estão sendo criados testes com aplicabilidade em uma quantidade maior de pessoas. 

Já na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um grupo foi reunido para atuar no desenvolvimento de uma inteligência artificial capaz de monitorar informações relacionadas à chegada do vírus. Com isso, podem unir bases de dados que criem modelos preditivos para a ocorrência da enfermidade, como os prováveis lugares em que ela chegará, para tentar evitar que se espalhe pelo país.

Na capital paulista, os cientistas do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) estão desenvolvendo uma vacina que possa combater o novo coronavírus. A estratégia induz uma resposta imunológica melhor do que a de outras que têm surgido. 

 

E MAIS…

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) 

Ajudou na elaboração do Protocolo Clínico para Manejo de Pacientes, um manual com os procedimentos adequados para o atendimento de pessoas infectadas. 

Universidade Federal do Ceará (UFC)

Criaram um grupo que organiza a articulação institucional com autoridades de saúde do Estado e dos Municípios para definirem ações estratégicas contra o coronavírus.

Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Importaram dois tipos de testes para identificação dos vírus dos Estados Unidos e da China para oferecer o serviço a qualquer hospital particular que queira a amostra. Com esse teste, é possível isolar o vírus e fazer pesquisas.

Universidade de Brasília (UnB) 

Contribui com planos de preparação e de contingência juntamente com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. 

Universidade de São Paulo (USP)

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP conseguiram isolar e cultivar em laboratório amostras de coronavírus, obtidos dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença. O objetivo é distribuir os vírus para laboratórios clínicos públicos e privados em todo o país para a ampliação da capacidade de realização de testes e no avanço dos estudos sobre como a doença é causada e se propaga. 

Vale lembrar que a recomendação do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, em discurso no começo do mês, foi de “testar, testar, testar. Teste todo caso suspeito”, para que os países possam melhorar o combate à disseminação da COVID-19.

*Com informações de Comunica UFU, UFMG, UFRN, UFC, UFBA, UFRJ, UnB e USP.

Por Communicare Jr. | Luan Borges

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