Você não tem medo de uma segunda onda?

“É difícil entendermos o Brasil em uma situação semelhante à da Europa”

Muitos países europeus vivenciam neste momento o que vem sendo chamado de segunda onda. Após o controle relativo da propagação do vírus durante o verão europeu, muitos países estão voltando a adotar medidas restritivas, como a imposição de toques de recolher durante a noite, ao verem os números da doença explodirem novamente com a proximidade do inverno. Guilherme Werneck, professor do UERJ (Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e médico epidemiologista, assinala que as doenças respiratórias, historicamente, tendem a aumentar durante o inverno.

Como ainda não existe uma vacina disponível, é previsível que a Covid-19 volte a se espalhar pelo Velho Continente e os governos locais tenham que recorrer a medidas mais duras de distanciamento social para conter a expansão do vírus, como vimos recentemente em países como França, Espanha, Bélgica e Itália. No entanto, ele não considera que seja possível fazer uma comparação entre as situações vividas na Europa e no Brasil. “O país não controlou sua primeira onda, então é difícil entendermos o Brasil, e alguns estados e cidades do país, em uma situação semelhante à da Europa, em que poderia ocorrer uma segunda onda. O Brasil ainda está tentando resolver a primeira”, avalia.

Para Werneck, a chegada de uma segunda onda vai depender de uma série de questões, como o grau em que a doença se espalhou, a existência ou não de uma vacina e as estratégias de controle populacionais. Ele também não vê indícios de que haverá a imposição de novas medidas restritivas, pois o país não soube lidar com a pandemia de forma pragmática desde o início. Além disso, estamos às vésperas das eleições municipais, e muito políticos hesitam em impor novas medidas restritivas, pois temem seus possíveis reflexos negativos nas urnas. “Nunca houve lockdown no Brasil, medidas restritivas intensificadas na forma de proibição de pessoas nas ruas, imposição de multas, etc, isso não foi feito no país. O que existiu foram recomendações de distanciamento social com fechamento de certas atividades econômicas”.

O docente do Instituto de Medicina Social da UERJ acredita que é necessária a intensificação das medidas de isolamento social e que as pessoas precisam perceber que também são responsáveis pelo controle da pandemia. “Para isso é fundamental o envolvimento de todos, e as autoridades deveriam ser as primeiras a se posicionar para fazer o possível para controlar a epidemia. Com a proximidade das eleições, a maior parte dos candidatos não quer conversar com a população e responsabilizá-la, e também a sua eventual gestão no futuro, com recomendações impopulares”, conclui.

(Fonte: Jornalismo Brasil Urgente)

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